
UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS DA AMÉRICA LATINA, ou simplesmente, URSAL.
A reedição da União Soviética e terras cucarachas realmente seria possível, ou o Cabo Daciolo estava jogando pedra na lua?
Vamos tentar entender a origem dessa sigla:
Comecemos concordando com a ligação entre a URSAL e o Foro de São Paulo, organização criada a partir de um seminário internacional organizado pelo PT em 1990, organizada por Marco Aurélio Garcia, figura proeminente nas diretrizes de política externa da legenda. Com a participação de partidos políticos, organizações comunitárias, sindicais, ambientalistas e até mesmo religiosas, que iam desde a Social-Democracia até o Comunismo Ortodoxo.
Sob a justificativa de debater as mudanças na geopolítica internacional pós-queda do Muro de Berlim, e no contexto da ruína soviética, a organização nunca passou de uma reunião para criticar as "políticas imperialistas americanas" ou para pregar a "fraternidade latino-americana". Desde então, 23 encontros se sucederam, e nunca conseguiram muita coisa.
A sigla URSAL surgiu como uma ironia, criada pela socióloga Maria Lúcia Barbosa, da UEL-PR, crítica do PT, que "inventou" a sigla para ironizar as intervenções diplomáticas dos governos de esquerda da América do Sul na década passada.
Mas, há quem ouça a piada, e a leve a sério. Não se trata de Daciolo, ou pelo menos não ainda. No caso, o lunático da vez era o astrólogo e aspirante a filósofo Olavo de Carvalho, que por incrível que pareça, tem um séquito de seguidores que o leva muito a sério. Segundo os olavetes, a URSAL, não seria exatamente um Estado unificado, mas uma espécie de confederação nos moldes do Pacto de Varsóvia, organização fantoche para justificar a existência de Estados Satélites ao comando de Moscou.
Seja através de um Estado Unificado, ou por uma organização multinacional, por via de regra, os países se juntam por dois motivos básicos: pela força das armas, ou pela força do dinheiro, nunca pela força das ideias, como supostamente o Foro de São Paulo faria.
A força seria o caminho mais rápido, e aparentemente mais simples, mas seria necessária a existência de pelo menos uma grande potência militar hegemônica na região, que dificilmente agiria pela intervenção direta, preferindo a disseminação de focos revolucionários, que coordenados, agiriam de forma semelhante a que os aliados de Moscou fizeram no Leste Europeu a partir do fim da Segunda Guerra.
E o uso da força implicaria em duas consequências reversas: a primeira, óbvia, a contrarrevolução, provavelmente vinda dos EUA, que se rugiram contra Cuba, imaginem o que fariam contra uma avanço socialista de grandes proporções.E a segunda, relacionada a primeira, seria a estratégia de focos de resistência internos ao domínio, também com "ajuda" externa. E assim como a força seria necessária para a implantação, também seria necessária para a manutenção, tal como os soviéticos fizeram, ao mandar seus tanques esmagarem os "desvios" de húngaros e tchecoslovacos. E ao menor sinal de debilidade da força dominante, o sistema implodiria, também como aconteceu com o Império Soviético.

A unificação pela via do dinheiro poderia trazer bons resultados, dependendo da quantidade de investimentos trazidos, especialmente em países mais pobres, ou maus, caso haja uma imposição centralizada de regras econômicas que poderiam inviabilizar algumas economias. Claro que imediatamente a Grécia, às turras com a União Europeia poderia vir à mente, mas estamos falando de um mercado socialista.
Mas, quem seria essa força econômica hegemônica na América Latina? Sim, possivelmente o Brasil. México ou Argentina não teriam poder maior que os brasileiros. Mas, de onde os brasileiros tirariam recursos para esse fundo? E além do mais, bastariam alguns trocados vindos de Washington para sufocar esse esforço.
A América Latina é historicamente, um bloco historicamente instável, com rupturas internas, propenso às condições momentâneas de cada país.
Resumo dessa confusão: a URSAL é uma maluquice.
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